‘Brilham intensas as lâmpadas do firmamento.
Sabes como o cosmos inteiro entoa seu mantram?
Girando o rosário dos astros, dia e noite, cem cessar.
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Mas são poucos aqueles que sabem de fato do Amado…
Como se encontram as águas do Ganges e do Yamuna,
O buscador, mistura em teu peito aspirações e desapego.
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Que em teu coração, dia e noite, as duas águas se juntem.
E, indiferente às ondas da morte e do renascimento,
Conduz teu sopro e atenção ao oceano do espírito supremo!
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Vê como a aragem do amor faz tremular o oceano de júbilo.
Ouve o som poderoso que irrompe da superfície encrespada.
E deixa qua as vagas carreguem os erros dessa vida e de outras.
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Aprofunda-te no êxtase, e eis que tudo se enche de luz.
Olha como a luz se derrama qual mansa chuva de ouro.
O que são a vida e a morte? A mão direita e a esquerda!
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Kabir diz: firmei meu assento no coração da unidade.
Pela graça de meu Senhor, bebi da taça do inefável.
E gora sou testemunho do jogo do eterno Um.
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*Kabir, grande mestre e poeta indiano do século XV, discorreu, em linguagem acessível, sobre o amor místico e a comunhão com o divino. Kabir não se definia como hindu, muçulmano ou sufi. Ele desprezava credos, denominações e ascetismos, levando a filosofia oriental a um novo rumo.
Fonte: Kabir, Cem Poemas, selecionados por Rabindranath Tagore. José Tadeu Arantes, Ed. Attar, 2 ed., 2019.
Oque dizer a não ser “maravilhoso”!