A sabedoria de Kabir [17]

‘Brilham intensas as lâmpadas do firmamento.

Sabes como o cosmos inteiro entoa seu mantram?

Girando o rosário dos astros, dia e noite, cem cessar.

.

Mas são poucos aqueles que sabem de fato do Amado…

Como se encontram as águas do Ganges e do Yamuna,

O buscador, mistura em teu peito aspirações e desapego.

.

Que em teu coração, dia e noite, as duas águas se juntem.

E, indiferente às ondas da morte e do renascimento,

Conduz teu sopro e atenção ao oceano do espírito supremo!

.

Vê como a aragem do amor faz tremular o oceano de júbilo.

Ouve o som poderoso que irrompe da superfície encrespada.

E deixa qua as vagas carreguem os erros dessa vida e de outras.

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Aprofunda-te no êxtase, e eis que tudo se enche de luz.

Olha como a luz se derrama qual mansa chuva de ouro.

O que são a vida e a morte? A mão direita e a esquerda!

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Kabir diz: firmei meu assento no coração da unidade.

Pela graça de meu Senhor, bebi da taça do inefável.

E gora sou testemunho do jogo do eterno Um.

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*Kabir, grande mestre e poeta indiano do século XV, discorreu, em linguagem acessível, sobre o amor místico e a comunhão com o divino. Kabir não se definia como hindu, muçulmano ou sufi. Ele desprezava credos, denominações e ascetismos, levando a filosofia oriental a um novo rumo.

FonteKabir, Cem Poemas, selecionados por Rabindranath Tagore. José Tadeu Arantes, Ed. Attar, 2 ed., 2019.

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