Em certa árvore há um pássaro, que canta a alegria da vida.
Nos galhos mais escondidos, lá ele desce e descansa.
Chega ao cair o crepúsculo, e parte ao erguer-se a aurora.
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Que pássaro é esse que canta dentro de mim?
Não tem forma nem cor, não tem contorno nem estofo.
Ele pousa na sombra do amor e repousa no inatingível.
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Kabir diz: Ó sadhu, meu irmão, guarda para ti este mistério. E deixa que os sábios encontrem onde tal pássaro se oculta.
Kabir, grande mestre e poeta indiano do século XV, discorreu, em linguagem acessível, sobre o amor místico e a comunhão com o divino. Kabir não se definia como hindu, muçulmano ou sufi. Ele desprezava credos, denominações e ascetismos, levando a filosofia oriental a um novo rumo.
Fonte: Kabir, Cem Poemas, selecionados por Rabindranath Tagore. José Tadeu Arantes, Ed. Attar, 2 ed., 2019.