E se você fosse morrer hoje?

E se você soubesse que vai partir agora e não vai jantar em casa hoje?

Li há pouco essa manchete num jornal online, motivada pela partida recente e de forma trágica de um repórter bastante conhecido da TV e do rádio brasileiro.

Minha primeira e espontânea resposta mental à essa pergunta foi: eu apenas diria ‘tchau mundo, adeus’, simples assim, sem remorso, pena, saudade, apego ou sentindo falta de qualquer coisa ao ir embora. Meio que assim, ‘enfim, chega disso‘! Meio que sentindo que por aqui temos muito mais dureza do que alegria em viver, e não faz muito sentido ficar alongando a estadia. Você entende? Já se sentiu assim? Talvez essa reflexão seja para você também…

E no caminho para casa, de volta do trabalho, vim refletindo sobre esse assunto, e alguns outros porém relacionados, que tem chegado para serem trabalhados pela minha consciência nos últimos tempos.

Frequentemente eu dizia, em algumas aulas e cursos, que curiosamente o ser humano é a única espécie nessa terra que tem que ‘pagar’ para viver, uma ótica que tem sido vista também por outros autores e pensadores.

E eu também pensava assim. Até hoje

Comecei a refletir sobre isso e liguei com outra mensagem que o Universo me enviou, que é a aceitação do Dharma, enxergando a alegria que está nele, em caminhar desenvolvendo belamente a nossa missão, com satisfação plena.

Pois sim, há de fato um plano mestre desenhado para nossas vidas. Nascemos num lugar, e numa determinda família, por uma forte razão. Nada ocorre por acaso neste Universo causal. Temos o livre-arbítiro sim, e o usamos para pequenas, e mesmo grandes escolhas. Mas se no exercício de nosso livre-arbítrio escolhemos caminhos que nos desviam do nosso propósito para essa vida, de nosso ‘contrato’, daquilo que viemos aqui para realizar, para dar e para receber, a vida nos mostra de forma frequentemente dolorosa, que esse não é o caminho mais adequado, que é melhor voltar para o plano original. Tudo bem, você pode insistir numa escolha alternativa, mas a sua vida pode não ser nada fácil assim. É bem menos doloroso seguir o fluxo da vida com suavidade. E como sabem, se não for por amor, o aprendizado virá pela dor

Muitos tem escrito sobre esse assunto, tentado nos ensinar a perceber conscientemente a benção (Sat, Chit, Ananda) do caminho do Dharma, mas é muito diferente quando você realmente realiza isso internamente, quando você finalmente percebe, porquê você agora sabe, você sente, porquê seu Eu Superior já sabia, e você se conecta com essa sabedoria…

E finalmente caiu a ficha, percebi que na realidade a gente não trabalha apenas para pagar as contas, apenas para ‘pagar’ para viver.

Certo, muitas pessoas ainda estão nessa vibração. Uma notícia recente divulgou que cerca de 50% dos trabalhadores estão em empregos que consideram uma tortura. Simplesmente odeiam ter que ir trabalhar todos os dias, mas precisam para pagar suas contas. Você já se sentiu assim em algum trabalho? Ou numa escola? Quem nunca…

Seria muito estranho, muito perverso, se o mundo fosse de fato assim, não é verdade? Um sistema escravagista que mantém os humanos presos numa matriz de trabalho forçado, por que eles nascem numa sociedade em que se é obrigado a ‘pagar para viver’.

Mas hoje, finalmente, mais um fino véu se foi para mim. Percebi que, na verdade, o que fazemos é viver num sistema de trocas, para a evolução física, moral e consciencial da humanidade, e para a melhoria da qualidade de vidas de todos!

De maneira simples, trocamos o tempo e a energia que dedicamos à aplicação de nossas habilidades para ajudar outras pessoas, e nessa troca podemos usar os créditos que disso resulta, para termos coisas úteis e serviços feitos por outras pessoas. Ajudamos os outros  e a humanidade em geral o tempo todo, e ainda podemos receber outras coisas e serviços em troca.

Repito, muitos já escreveram sobre a beleza disso, e sobre a alegria e a satisfação que podemos interiorizar quando realizamos isso, mas da letra morta é muito difícil obter uma experiência real.

Assim, penso que dando meu exemplo, pode ficar mais fácil para o leitor, que provavelmente ainda está duvidando da benção que isso é, e da satisfação e paz interior que isso traz!

Trabalho em várias frentes, e se por um lado pode ser um pouco cansativo e desafiador, ao mesmo tempo é muito rico em oportunidades. Me fazer viver ao menos umas 5 vidas no tempo de uma só… e fico feliz com isso!

Pois vejamos. Em meu trabalho como farmacêutico-bioquímico, ajudo a muitas pessoas que precisam saber se estão saudáveis, ou a ter um diagnóstico correto e preciso, ou a saber se sua doença está melhorando, ou se está piorando, fornecendo exames laboratoriais com a máxima segurança e confiabilidade, dentro de minha área de atuação. Que preço tem essa segurança, para uma pessoa que precisa de cuidados com sua condição de saúde?

Também sou professor universitário nessa área, e assim estou ajudando a formar as próximas gerações de profissionais e cientistas que irão ajudar as pessoas e transformar o mundo no futuro.

Como cientista, mesmo com as limitações das pequenas pesquisas que faço, também contribuo, com pequenas peças de um imenso quebra-cabeças, a melhorar a qualidade de vida das pessoas. Pois a ciência não é um trabalho individual, é um enorme conjunto de conhecimentos que foram produzidos por muitas pessoas, por muito tempo, para ter impacto efetivo na história da humanidade. Assim, o trabalho mesmo que pequeno de cada uma das peças que constroem esse quebra-cabeças é fundamental. A título de exemplo, vejamos a área da descoberta de novos antibióticos, uma das quais atuo. Há muito pouco tempo atrás, relativamente à história humana, não tínhamos antibióticos. Facilmente as pessoas morriam por uma pneumonia, por um arranhado na pele que depois virava uma infecção sistêmica, e tantas outras causas mais. Não havia vacinas para as doenças infecciosas muitas vezes fatais, que hoje nem nos perturbam mais. Não havia anestesia. Você gostaria de ter que arrancar um dente sem anestesia? E as novas gerações, que com o avanço dos cuidados profiláticos da odontologia nem cárie mais terão. Esses são apenas alguns e breves exemplos de avanços na qualidade de vida das pessoas que foram resultado do trabalho de milhares de cientistas, cada um fazendo sua pequena parte no todo.

Não é lindo isso?

E voltando ao meu caso, ainda consigo um tempinho para, com os cursos de Reiki e outras palestras e intervenções, ajudar as pessoas a ao menos vislumbrar a beleza do mundo extra-físico, da energia que não se mede, mas se percebe, saindo da lógica mecanicista que o sistema da vida comum tende a impor à humanidade, fazendo ela pensar até que temos que ‘pagar para viver’…

E hoje tudo isso ficou mais claro para mim. Não vivemos num sistema perverso bandidão que nos escraviza. Inclusive, se você quiser não trabalhar, pode juntar um punhado de coisas e ir morar no mato ou numa praia deserta, e viver da natureza. Nada lhe impede. Mas como seria sua vida assim? O que somos, em grande parte, é resultado das interações humanas que temos com outras pessoas. Pense nisso.

Vivemos, sim, num sistema de trocas, onde seguimos nosso Dharma, colocando nossas habilidade únicas em movimento, e de gorjeta ainda acabamos ajudando os outros. Não é magnífico? E quando realizamos isso, encontramos a satisfação de viver nossa missão na terra. E de quebra, evoluímos com isso, moralmente, intelectualmente e espiritualmente, com o resultado de cada pequena ou grande experiência que a vida nos revela.

Por fim, respondendo a pergunta do título, se eu fosse embora agora, eu na verdade pensaria: ‘nossa, que vida linda eu tenho tido! consigo ajudar incontáveis pessoas, no presente e no futuro! tudo valeu a pena, fiz muitas coisas na vida, percorri uma jornada linda, tive a coragem que foi necessária, tive a ajuda que foi necessária, aprendi muito, sou muito grato, e se o Cosmos desejar que eu fique por aqui um pouco mais, ficarei muito feliz em ajudar a colocar essa Energia em movimento! 🙂 

E você, qual a beleza que você consegue ver no seu trabalho agora? Consegue ver o seu propósito, o seu caminho? Pense nisso!

Com meus sinceros desejos de Luz, Felicidade e Paz,

 

Caio M. M. de Cordova

Namaste

 

 

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