Todas as coisas são criadas por Aum.
Seu corpo é de pura beatitude, puro gozo.
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Infinito, ele é um abismo insondável.
Incorruptível, é eterno, sempre novo.
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Sem forma, assume incontáveis formas
Aos olhos afortunados de quem o vê.
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Extático, dança em louco arrrebatamento.
De sua dança os entes nascem em miríades.
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Imerso em tudo o que começa e finda,
Ele mesmo é sem começo e sem fim.
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Alegria e tristeza são espumas que se vão.
Ele é o oceano da felicidade permanente.
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Kabir, grande mestre e poeta indiano do século XV, discorreu, em linguagem acessível, sobre o amor místico e a comunhão com o divino. Kabir não se definia como hindu, muçulmano ou sufi. Ele desprezava credos, denominações e ascetismos, levando a filosofia oriental a um novo rumo.
Fonte: Kabir, Cem Poemas, selecionados por Rabindranath Tagore. José Tadeu Arantes, Ed. Attar, 2 ed., 2019.