MUITAS MORADAS…

– Por Maurício Santini –

No prédio onde eu habito tem dois andares…
Um de cima e outro de baixo.
Os moradores do andar de baixo são barulhentos e instintivos…
Adoram uma algazarra e se perdem por uma noite de prazer.
Os de cima são mais silenciosos e equilibrados…
Parecem antenados em algo muito mais sublime. Deve ser porque estão no alto.
Os vizinhos do primeiro andar são emotivos e passionais…
Vira e mexe tem alguém chorando por um amor perdido.
Frequentemente brigam por ciúmes e outras possessões.
Os do segundo andar são mais amorosos e pacíficos…
Nunca ouvi qualquer gemido de dor, apenas sorrisos afetivos.
São livres. Despertam com a luz do sol.
Às vezes, fazemos uma reunião de condomínio.
Os de baixo brigam apenas por suas causas e lutam para socializar integralmente, sem vigilância, as dependências do prédio.
Os de cima são mais previdentes e optam pela liberdade com responsabilidade.
O terreno baldio ao lado já invadiu com seus entulhos os quintais do prédio embaixo… tudo que é lixo dos outros começa a se acumular na porta da entrada.
São os vizinhos de cima que limpam a bagunça.
Os habitantes dos andares inferiores comem sem mesura, bebem sem dosagem, transam só para satisfazer seus instintos. Muitas vezes são violentos e chutam o balde!
Os moradores de cima se alimentam de luz e sorvem o prana* do ar.
Seu sexo é com as estrelas. Fazem amor com o Universo.
Eu vivo entre os dois andares.
Às vezes, subo de elevador; outras vezes, infelizmente, por falta de energia, desço as escadas…
Outro dia, estava pensando em reformar esse meu prédio. Mas, dá um trabalho…
Custa muito. Só a mão-de-obra e o material de construção saem uma fortuna.
Mas, acho que vale a pena!
Mudar os móveis.
Aumentar a segurança contra os invasores e oportunistas.
Instalar antenas mais potentes para pegar os canais de luz.
Limpar a piscina das impurezas.
Ensinar boas condutas aos vizinhos de baixo.
Varrer os entulhos e as folhas secas do quintal.
Trocar as telhas quebradas.
Pintar as paredes com cores pastéis e alvas e vedar as infiltrações.
Lavar o chão e ladrilhar os buracos do piso.
Turbinar o elevador.
Trocar os vidros foscos das janelas pelos que reluzem a luz do sol.
Enfim, transformar meu prédio antigo num novo templo de luz e harmonia.
Se a casa do meu Pai tem muitas moradas, devo então enfeitar de luzes a minha.
Daí, quando chegar a hora de mudar de constelação, estarei pronto, visto que a minha casa brilha com a luz do dia.
Posso até habitar o sol sem medo de me queimar.
Posso ser turista numa das luas de Júpiter, ou mesmo passar uma temporada em
Andrômeda.
Se houver qualquer terremoto ou vendaval, estou seguro na minha torre de luz.
Assim, eu resolvi reformar minha morada e acho que Deus pode me ajudar a reconstruí-la.
Ele é o Grande Arquiteto do Universo!

Imagem relacionada

Enviado por: IPPB – Newsletter <newsletter@ippb.org.br>


HomePage do IPPB: http://www.ippb.org.br
Lista de distribuição: http://groups.yahoo.com/group/ippb
———————————————————–

O DEVA E O BUDA

O Buda* estava um dia no jardim de Anathapindika, na cidade de Jetavana, quando lhe apareceu um Deva** em figura de brâmane e vestido de hábitos brancos como a neve, e entre ambos se estabeleceu o seguinte diálogo:
O Deva: – Qual é a espada mais cortante? Qual é o maior veneno? Qual é o fogo mais ardente? Qual é a noite mais escura?
O Buda: – A palavra raivosa é a espada mais cortante; a inveja é o mais mortal veneno; a luxúria é o fogo mais ardente, e a ignorância é a noite mais escura.
O Deva: – Quem obtém a maior recompensa? Quem sofre a maior perda? Qual é a armadura mais impenetrável? Qual é a melhor arma?
O Buda: – Quem dá sem desejo de receber é quem mais ganha. Quem recebe de outro sem devolver nada é o que mais perde. A paciência é a armadura mais impenetrável. A sabedoria é a maior arma.
O Deva: – Qual é o ladrão mais perigoso? Qual o tesouro mais precioso? Quem recusa o melhor que lhe é oferecido neste mundo?
O Buda: – Um mau pensamento é o ladrão mais perigoso. A virtude é o tesouro mais precioso. Recusa o melhor que se lhe oferece quem aspira à imortalidade.
O Deva: – O que atrai? O que repugna? Qual é a dor mais terrível? Qual é a maior felicidade?
O Buda: – O bem atrai. O mal repugna. A maior dor é a má conduta. A libertação é a maior felicidade.
O Deva: – O que ocasiona a ruína no mundo? O que destrói a amizade? Qual é a febre mais aguda? Qual é o melhor médico?
O Buda: – A ignorância arruína o mundo. A inveja e o egoísmo destroem a amizade. O ódio é a febre mais aguda. O Buda é o melhor médico.
O Deva: – Tenho uma dúvida e peço que me respondas: O que é que o fogo não queima, nem a ferrugem consome, nem o vento abate e é capaz de reconstruir o mundo inteiro?
O Buda: – O benefício das boas ações.
Satisfeito o Deva com as respostas do Buda, com as mãos juntas se inclinou respeitosamente diante Ele e desapareceu.

(Extraído do livro “Buda – Aquele que Despertou” – Editora Martin Claret).

– Notas:
* Buda – do sânscrito – O Iluminado; Aquele que despertou! Palavra derivada de “Buddhi”, que significa “Iluminação Pura” ou “Inteligência Pura”. Ou seja, quem alcança o estado de Buddhi, torna-se um Buda, um Ser iluminado e desperto.
** Deva – do sânscrito – divindade, anjo, ser celestial.

Enviado por: IPPB – Newsletter <newsletter@ippb.org.br>

somos_1