Diante do sem qualidades*, o que tem qualidades dança.
“Tu e eu somos um”, proclama a flauta em uma só nota.
O guru se aproxima e, aos pés dos discípulo, se prostra.
Ó mistério! Quem poderá explicar tamanha maravilha?
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* Segundo o advaita vedanta, Brahman, o Absoluto, é sem qualidades (nirguna). Pois se fosse o que tem qualidades (sarguna) seria o relativo, uma coisa entre as outras, e não o que engloba todas as coisas e também as transcende. As três qualidades principais (gunas), das quais todas as outras por composição derivam, são tamas (imobilidade ou apatia), rajas (movimento, ou paixão), e sattva (existência ou pureza).
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Kabir, grande mestre e poeta indiano do século XV, discorreu, em linguagem acessível, sobre o amor místico e a comunhão com o divino. Kabir não se definia como hindu, muçulmano ou sufi. Ele desprezava credos, denominações e ascetismos, levando a filosofia oriental a um novo rumo.
Fonte: Kabir, Cem Poemas, selecionados por Rabindranath Tagore. José Tadeu Arantes, Ed. Attar, 2 ed., 2019.