O tempo é uma ilusão?

Por Eduardo Vintiñi, Epochtimes.com

Nós tendemos a acreditar que o destino não é fixo e que todo o passado desaparece no esquecimento, mas poderia o movimento ser uma mera ilusão? Um renomado físico britânico explica que em uma dimensão especial, o tempo simplesmente não existe.

“Se você tentar agarrar o tempo com as mãos, ele estará sempre deslizando por entre seus dedos”, disse Julian Barbour, físico britânico e autor de “O fim do tempo: a próxima revolução na física”, em uma entrevista com a Fundação Edge. Embora esta afirmação poética ainda ressoe na sala, Barbour e o jornalista, provavelmente, não tenham qualquer ligação consigo mesmos um segundo atrás.

Barbour acredita que as pessoas não podem capturar o tempo, porque ele não existe. Mesmo isso não sendo uma teoria nova, ela nunca teve a popularidade que a teoria da relatividade de Einstein ou a teoria das cordas teve.

O conceito de um universo sem tempo não é apenas irresistivelmente atraente para um punhado de cientistas, mas tal modelo pode pavimentar o caminho para explicar muitos dos paradoxos que a física moderna enfrenta em explicar o universo.

Nós tendemos a pensar e perceber a hora de forma linear na natureza, curso que, inevitavelmente, flui do passado ao futuro. Esta não é apenas uma percepção pessoal de todos os seres humanos, mas também o contexto em que a mecânica clássica analisa todas as funções matemáticas dentro do universo. Sem esse conceito, ideias como o princípio da causalidade e nossa incapacidade de estarmos presentes simultaneamente em dois eventos começariam a ser abordadas a partir de um nível completamente diferente.

A ideia da descontinuidade do tempo proposta por Barbour tenta explicar em um contexto teórico um universo composto de vários pontos que ele chama de “agora”. Mas tais “agoras” não seriam entendidos como momentos passageiros que vieram do passado e vão morrer no futuro, um “agora” seria apenas um entre os milhões de agora existentes no mosaico universal eterno de uma dimensão especial impossível de se detectar, cada um relacionado de uma maneira sutil com os outros, mas nenhum mais proeminente do que o vizinho. Eles todos existem ao mesmo tempo.

Com esta mistura de simplicidade e complexidade, a ideia de Barbour promete um grande alívio para quem quer que esteja disposto a aceitar a ausência de tempo antes do Big Bang.

Barbour acha que o conceito de tempo pode ser semelhante ao dos integrais (números inteiros). Todos os números existem simultaneamente, e seria insensível se pensar que o número 1 existe antes do número 20.

Neste ponto do argumento, é provavelmente inevitável que o leitor pergunte: “Você está tentando me convencer de que esse movimento que estou fazendo agora com o meu antebraço não existe? Se frações infinitesimais de “agoras” não estão ligadas umas às outras, como eu me lembro das primeiras ideias deste artigo? Como é que eu me lembro do que eu comi no almoço? Por que vou acordar e ir trabalhar se o trabalho pertence ao “eu” que não tem nada a ver comigo? Se o futuro já está lá, enfim, por que lutar?”

Tais dilemas surgem a partir da percepção ilusória de que o tempo flui, como a água em um rio. Podemos considerar um universo atemporal como uma longa torta de baunilha, no centro da qual está preenchida com chocolate por todo o comprimento. Se cortarmos uma fatia, temos o que chamamos de presente, um “agora”.

Supondo que o chocolate no centro nos represente, acreditaríamos que nossa fatia é a única existente no universo, e que as fatias anteriores e posteriores existem apenas como conceitos. Essa ideia soaria ridícula para um observador da torta, que soubesse que todas as fatias coexistem.

Tomando este exemplo, você poderia dizer que “eu” não sou a mesma pessoa que começou a escrever esta sentença. Eu sou único, talvez em aparente conexão com cada um dos sujeitos que escreveu as palavras no início deste parágrafo. Ainda assim, os intermináveis “agoras” independentes uns dos outros não estariam dispersos. Eles ainda comporiam uma estrutura. Eles são um bloco, uma torta inteira, sem migalhas.

Esta é a teoria de Barbour: em um espaço do cosmos, o futuro (nosso futuro) já está lá, disposto, e cada segundo do nosso passado também está presente, não como uma memória, mas como um presente vivo. A coisa mais dolorosa para os seres humanos, conforme as filosofias ocidentais delineiam, seria tentar quebrar o molde fixo.

O sábio, que segue o curso pré-determinado, seria uma face feliz na torta de chocolate cósmica e tentaria viver os nossos únicos e extremamente minúsculos “agoras”.

A maioria de nós está profundamente convencida de que em um nível inconsciente, um grande relógio cósmico marca cada segundo deste enorme espaço chamado universo. No entanto, no início do século passado, Albert Einstein já havia demonstrado que a realidade temporal é relativa a cada objeto no universo, e que o tempo é “algo” inseparável do espaço. Mesmo os especialistas que sincronizam o tempo no mundo estão cientes de que o mundo é controlado por um tique-taque estipulado arbitrariamente, uma vez que os relógios não são capazes de medir o tempo em absoluto.

Aparentemente, a única alternativa é afundar-se em uma “ilusão temporária” deste infinito, sabendo que existe um espaço onde o passado ainda existe e aquilo que fazemos não muda. Ou como o próprio Einstein diria: “Pessoas como nós, que acreditam na física, sabem que a distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente.”

Fonte.

 

Cura de doenças com o pensamento

Controle seus genes com o pensamento

A coisa toda soa como a cena de Star Wars, quando o Mestre Yoda instrui o jovem Luke Skywalker a usar a força para retirar o velho X-Wing do pântano.

Marc Folcher e seus colegas do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça desenvolveram um método de regulação genética que usa ondas cerebrais específicas para controlar a conversão de genes em proteínas – a chamada expressão genética.

O sistema, controlado por ondas cerebrais humanas, foi testado e funcionou em culturas de células humanas e em camundongos.

“Pela primeira vez conseguimos captar ondas cerebrais humanas, transferi-las sem fios para uma rede de genes e regular a expressão de um gene dependendo do tipo de pensamento. Ser capaz de controlar a expressão genética através do poder do pensamento é um sonho que estamos perseguindo há mais de uma década,” disse o professor Martin Fussenegger.

Fussenegger espera que um implante controlado pelo pensamento possa um dia ajudar a combater doenças neurológicas, como síndrome do encarceramento, dores de cabeça crônicas, dores nas costas e epilepsia, através da detecção de ondas cerebrais específicas em um estágio inicial, usando o pensamento para desencadear e controlar a produção de determinados agentes no momento certo e no local certo do corpo.

Produção de proteínas controlada pelo pensamento

O sistema usa um capacete com sensores para captar ondas cerebrais, como em um eletroencefalograma. As ondas cerebrais são analisadas, gravadas e transmitidas sem fio via Bluetooth para um dispositivo que controla um gerador de campo eletromagnético. Esta bobina fornece uma corrente de indução para o dispositivo principal, o implante que foi testado em culturas de células humanas e em camundongos.

A corrente induzida acende uma luz no implante: um LED integrado emite luz na faixa do infravermelho próximo e ilumina uma câmara de cultura contendo células geneticamente modificadas. Quando a luz infravermelha ilumina as células, elas começam a produzir a proteína desejada.

Controle seus genes com o pensamento

Este diagrama mostra como o implante recebe as ondas cerebrais, interpreta-as e transforma-as em eletricidade para acender o LED e disparar a produção da proteína. [Imagem: Marc Folcher et al. – 10.1038/ncomms6392]

Concentração, meditação e biofeedback

O sistema foi controlado pelos pensamentos de vários voluntários. Durante os testes, os pesquisadores usaram SEAP, uma proteína humana fácil de detectar que se difunde a partir da câmara de cultura do implante na corrente sanguínea do animal de laboratório.

Para regular a quantidade de proteína produzida, os voluntários foram classificados de acordo com três estados mentais: concentração, meditação e biofeedback.

Os voluntários em concentração – eles se concentravam jogando Minecraft – induziram a produção de valores médios de SEAP na corrente sanguínea dos camundongos. Aqueles completamente relaxados – em meditação – induziram valores SEAP muito elevados nos animais de laboratório.

Para o biofeedback, os voluntários observavam o LED do implante no corpo do camundongo e então conseguiam conscientemente ligar e desligar a luz do LED, o que gerou a produção de quantidades variáveis de SEAP na circulação sanguínea dos animais, de acordo com a vontade de cada um.

“Controlar genes dessa forma é algo completamente novo e é único em sua simplicidade,” explicou Fussenegger.

Implante optogenético

O implante optogenético, que reage à luz infravermelha, talvez seja o maior avanço de todo o sistema, uma vez que o controle de equipamentos pelas ondas cerebrais tem sido demonstrado em uma variedade de situações, e acender um LED está entre as mais simples delas.

No implante, a luz incide sobre uma proteína geneticamente modificada para se tornar sensível à luz, controlando a produção de SEAP no interior das células dos animais.

A luz na faixa do infravermelho próximo foi usada porque esse comprimento de onda geralmente não é prejudicial às células humanas, pode penetrar profundamente no tecido e permite que o funcionamento do implante seja monitorado visualmente.

Bibliografia:

Mind-controlled transgene expression by a wireless-powered optogenetic designer cell implant.
Marc Folcher, Sabine Oesterle, Katharina Zwicky, Thushara Thekkottil, Julie Heymoz, Muriel Hohmann, Matthias Christen, Marie Daoud El-Baba, Peter Buchmann, Martin Fussenegger
Nature Communications
Vol.: 5, Article number: 5392
DOI: 10.1038/ncomms6392