A sabedoria de Kabir [23]

A escuridão da noite desce, densa e profunda,

Mas, sobre a cabeça, a luz do amor se derrama.

Abre a janela e perde-te na imensidão estrelada,

Bebe do mel que o lótus de teu coração emana.

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Percebe quebrarem-se em ti as ondas do mar.

Escuta o zumbido dos búzios em teu interior.

Recolhe-te. Aquieta-te. Conserva-te no lugar.

Tu és o vaso no qual viceja, eterno, o Senhor.

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*Kabir, grande mestre e poeta indiano do século XV, discorreu, em linguagem acessível, sobre o amor místico e a comunhão com o divino. Kabir não se definia como hindu, muçulmano ou sufi. Ele desprezava credos, denominações e ascetismos, levando a filosofia oriental a um novo rumo.

FonteKabir, Cem Poemas, selecionados por Rabindranath Tagore. José Tadeu Arantes, Ed. Attar, 2 ed., 2019.

A sabedoria de Kabir [22]

Meu coração aspira ao verdadeiro guru,

Que enche até a borda a taça do amor

E a compartilha comigo;

Que remove o véu diante de meus olhos

E me oferece a visão do eterno Brahman;

Que desvela mundos em seu interior

E me faz ouvir o som não percutido;

Que mostra a alternância entre alegria e tristeza

E responde amorosamente a todas as súplicas.

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Kabir diz: Nada tem a temer

Quem possui tal guru para conduzi-lo.

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*Kabir, grande mestre e poeta indiano do século XV, discorreu, em linguagem acessível, sobre o amor místico e a comunhão com o divino. Kabir não se definia como hindu, muçulmano ou sufi. Ele desprezava credos, denominações e ascetismos, levando a filosofia oriental a um novo rumo.

FonteKabir, Cem Poemas, selecionados por Rabindranath Tagore. José Tadeu Arantes, Ed. Attar, 2 ed., 2019.