SALGANDO OS DIAS ANTIGOS NAS LUZES DO BEM

Raspando o limo e quebrando a crista das ilusões

1727 salgando os dias antigos nas luzes do bem
Nos dias antigos, nós estávamos perdidos em nossas ilusões…
O orgulho nos cegava o discernimento.
Nós almejávamos as grandes iniciações espirituais e os graus elevados…
Mesmo que fosse tripudiando sobre nossos irmãos de senda.
Muitas vezes, nós fomos admoestados pelos hierofantes* sobre essas falhas…
Mas éramos pedra dura e o limo de nosso ego era bem viscoso.
Quantas vezes nós ouvimos as maledicências, uns dos outros?
Em alguns momentos de soberba mística, desdenhamos até da Luz.
Ah, o nosso ego era grande e o nosso coração era tão pequeno.
Simplesmente, nós erámos medíocres de crista erguida!
Os hierofantes nos conheciam bem. Eles sabiam que nós não erámos maldosos…
Também sabiam que Maat** salgaria nossa arrogância nas areias da dor.
A deusa da justiça ajustaria nossas bússolas na direção do Bem.
Assim foi feito… as engrenagens cármicas*** nos jogaram na roda da vida.
Os dias antigos se foram e nós rodamos tanto…
O nosso limo foi sendo diluído pela ação retificadora do carma.
Hoje, felizmente, nós estamos bem melhores, mais do que imaginávamos antes.
Porque nós já sabemos que a arrogância é doença espiritual!
Também porque baixamos a crista de nossas sandices e ilusões místicas.
Hoje nós sabemos que todos os seres são neófitos do Todo!
E que iniciado espiritual é quem faz o Bem sem olhar a quem.
Hoje, nós não vemos mais a cor da pele, mas a Luz em cada Ser.
O nosso grau espiritual real é o do serviço em Nome da Luz.
Nós não somos donos nem de nós mesmos.
Estamos lutando tanto para vencermos a nós mesmos, finalmente…
 
P.S.:
Os dias antigos se foram…
Graças ao Alto!
E nós só queremos servir à Luz.
Não queremos mais galardões esotéricos…
E nem diplomas místicos.
Nós só queremos ser felizes.
Para assim, seguirmos em frente…
Os hierofantes estavam certos.
Nós não éramos maldosos, só tolos!
Ainda bem que Maat nos pegou em seu colo…
E salgou nossas cristas ilusórias.
Hoje, nossas mãos são de Luz.
E algo mais brilha em nossos olhos…
A admiração pelo Todo****.
Nós reconhecemos isso, em Espírito e Verdade.
 
(Dedicado aos meus parceiros e parceiras de jornada espiritual, que, entre trancos e barrancos, continuam lutando por climas melhores na existência, dentro e fora de si mesmos, sempre em Nome da Luz.)
 
Paz e Luz!
 
– Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
São Paulo, 19 de janeiro de 2020.
 
– Notas:
* Hierofantes – dentro do contexto das iniciações esotéricas da antiguidade, eram os mestres que testavam os neófitos (calouros) nas provas iniciáticas.
** Maat – a deusa da justiça na cosmogonia egípcia antiga.
*** Cármicas – do sânscrito, karma – ação, causa – toda ação gera uma reação correspondente; toda causa gera o seu efeito correspondente. A esse mecanismo universal os hindus chamaram carma. Suas repercussões na vida dos seres e seus atos podem ser denominados de consequências cármicas.
**** O Todo – expressão hermética para designar o Poder Absoluto que está em tudo. O Supremo, O Grande Arquiteto Do Universo, Deus, O Amor Maior Que Gera a Vida. Na verdade, O Supremo não é homem ou mulher, mas pura consciência além de toda forma. Por isso, tanto faz chamá-lo de Pai Celestial ou de Mãe Divina. Ele é Pai-Mãe de todos.
Quando se afirma que o Todo é o Grande Hierofante, é no sentido de que Ele é o Supremo iniciador de todos os seres, pois está em tudo!

Fonte.

RIOS DE LUZ

A salvação em Cristo | Estudos Bíblicos Teológicos Evangélicos

Há vários rios de luz correndo pela estrutura interna do Atman*.

São veias do divino transportando as ondas de Brahman**.

Quem poderá impedir seu trânsito sutil rumo às águas do oceano divino?

Que homem poderá seccionar as linhas sutis que o obrigam à consecução de sua ação portentosa?

Que arma poderá represar a luz divina nas fibras espirituais do Ser?

O Atman é puro brilho! Não nasce nem morre. É indivisível, indestrutível, eterno. É luz imperecível!

Aliás, alguém, em qualquer tempo, já enterrou ou cremou um Ser de luz?

Que cemitério ou crematório poderá conter os restos mortais daquele que é imortal?

Algum repositório poderá conter o Atman, pura essência de Brahman?

Os rios sutis estão cheios de lótus brilhantes…

Quem navegará com a devida doçura por suas águas?

Quem jogará as redes do Amor para pescar o peixe do Samadhi?***

Atman, Um de Brahman!

Navegue com sabedoria. Navegue com amor. Navegue…

Pois os rios de sua própria essência sutil o conduzirão ao oceano da grande realização.

Os invólucros**** densos nascem, crescem e morrem…

O que tem o Atman com isso?

Essência sutil, é o que permanece. É o real!

Nunca ganha ou perde, apenas é!

Medite: “Inclino-me perante a Brahman, Essência Sutil de minha essência, Eterna Fonte de Amor. Que seja feita a sua vontade!”

– Um Sábio que ama vocês –

(Recebido espiritualmente por Wagner Borges.)

– Nota de Wagner Borges:

O mestre espiritual que me passou esses escritos é um dos rishis (sábios) que inspirou a compilação dos ensinamentos espirituais contidos nos Upanishads. Ele não quer nenhuma ostensividade em relação à sua pessoa, pois, segundo ele, o que importa é a qualidade da informação em si, e não o mensageiro que a leva. Ele é um dos mentores anônimos que muito ajuda à humanidade em seu silêncio operante e perene.

Guardei este texto dele por anos, por considerá-lo complexo demais para uma leitura em aberto, sem dar a devida interpretação baseada nos Upanishads. Contudo, lendo-o hoje, senti vontade de postá-lo assim mesmo. Independente da linguagem e do conteúdo hinduísta das expressões, penso que fica claro para o leitor a ideia da imortalidade do espírito, a noção de que o espírito é divino, é Deus manifestado nos planos fenomênicos.

O ensinamento oriundo dos Upanishads é:

“O Atman é Brahman, Brahman é o Atman! Tudo é Um!”

Fica evidente no texto desse sábio aquela mesma inspiração que deu vida aos Upanishads, nas orlas das florestas da antiga Índia, onde os rishis ensinavam as verdades do espírito. Suas luzes sutis também permeiam esses escritos de agora, pois a fonte é a mesma.

Peço ao leitor atento, que releia o texto agora, com outros olhos, de coração aberto, para respirar o sopro vital do Eterno inserido nessas palavras de sabedoria… Para beber dessa fonte invisível que mana sabedoria em forma de letras, mas, que, em verdade, sacia a sede do espírito com as águas da divina percepção.

Que do país silencioso dos rishis, nas alturas etéreas da Bem-Aventurança (Ananda), possa fluir ao leitor consciente às emanações serenas daqueles que velam secretamente pelos destinos da humanidade. Que, de espírito a espírito, além das palavras e dos condicionamentos, haja compreensão silenciosa.

Om Brahman!

– Notas:

* Atman – do sânscrito – o espírito; o ser imperecível; a centelha vital do divino; a essência espiritual.

** Brahman – do sânscrito – O Supremo; O Grande Arquiteto Do Universo; Deus; O Amor Maior Que Gera a Vida. Na verdade, O Supremo não é homem ou mulher, mas pura consciência, além de toda forma. Por isso, tanto faz chamá-Lo de Pai Celestial ou de Mãe Divina. Ele/Ela é Pai-Mãe de todos.

*** Samadhi – do sânscrito – expansão da consciência; estado de consciência cósmica.

**** Invólucros – corpos; envoltórios (em sânscrito, “koshas”).__._,_.___


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