A sabedoria de Kabir [16]

“Entre o Sem-Nome e seus nomes,

A consciência construiu um balanço.

Nele, estão suspensos os mundos,

E seu vaivém não tem fim.

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Milhões de entes balançam:

O sol e a lua em seus cursos.

Milhões de eras sucedem-se,

E o vaivém permanece.

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Terra e água, fogo e ar.

Éter e além: tudo nesse vaivém!

Nele, o próprio Senhor tomou forma.

E Kabir se fez seu servente.”

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*Kabir, grande mestre e poeta indiano do século XV, discorreu, em linguagem acessível, sobre o amor místico e a comunhão com o divino. Kabir não se definia como hindu, muçulmano ou sufi. Ele desprezava credos, denominações e ascetismos, levando a filosofia oriental a um novo rumo.

FonteKabir, Cem Poemas, selecionados por Rabindranath Tagore. José Tadeu Arantes, Ed. Attar, 2 ed., 2019.

A sabedoria de Kabir [15]

“Lá, onde reina a eterna primavera,

Onde o som não percutido soa por si só,

Onde a luz imaculada preenche o espaço todo;

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Lá, onde milhões de Bramas leem os Vedas,

Onde milhões de Vishnus inclinam suas cabeças,

Onde milhões de Shivas imergem em contemplação;

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Lá, onde milhões de Krishnas sopram suas flautas,

Onde milhões de Saraswatis dedilham douradas vinas,

Onde miríades de deuses e almas libertas vivem em extase;

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Lá, nessa outra margem que poucos alcançam,

Nessa praia distante, meu amado Senhor se desvela,

E o odor de flores e sândalo perfuma esse confim.”

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*Kabir, grande mestre e poeta indiano do século XV, discorreu, em linguagem acessível, sobre o amor místico e a comunhão com o divino. Kabir não se definia como hindu, muçulmano ou sufi. Ele desprezava credos, denominações e ascetismos, levando a filosofia oriental a um novo rumo.

FonteKabir, Cem Poemas, selecionados por Rabindranath Tagore. José Tadeu Arantes, Ed. Attar, 2 ed., 2019.