O primeiro Buda

Cinco ou seis séculos a.c. nasceu Siddharta Gautama, ‘o primeiro buda’.

Como disse Osho, ‘Eu adoro Gautama porque ele representa para mim o núcleo essencial da religião. Ele é o fundador de uma forma totalmente diferente de religião no mundo: uma religião sem religião. O que ele propôs foi não uma religião, mas uma religiosidade, e essa foi uma grande mudança radical na história da consciência humana.’

Após tanto tempo, é difícil, assim como ocorre nos evangelhos, separar o que é história real, de lendas e metáforas.

Mas de todas as passagens de sua bela estória, no momento me chama muito a atenção os episódios de sua grande ‘tentação’, que precedem a sua iluminação:

‘Diz a lenda que Siddhartha permaneceu assim por vários dias, sob a sombra de uma figueira, nas margens do rio. Então, uma luz começa a brilhar no meio de sua testa. Mara*, o Grande Tentador, estremeceu: ele sabia que seu poder para desvirtuar a humanidade estava ameaçado. Durante a noite, muitas distrações surgiram para Sakyamuni: sede, luxúria, descontentamento e distrações de prazer. E ao longo de sua concentração meditativa, ele foi tomado por visões de incontáveis exércitos de demônios atacando-o com as mais terríveis armas. Mas, por causa de sua meditação, ele pôde converter a negatividade em harmonia e pureza, e as flechas lançadas contra ele se transformaram em flores. Algumas filhas de Mara apareceram, como belíssimas mulheres, para distraí-lo ou seduzi-lo (luxúria). Outros assumiram formas de animais ferozes (medo). Mas seus rosnados, ameaças e qualquer outra tentativa foram em vão para tirar Sakyamuni de sua meditação. Sentado em um estado de total absorção, ele alcança todos os graus de realização incluindo total onisciência, adquirindo o conhecimento de todo o seu ciclo de mortes e renascimentos. Finalmente, Mara tentou tirá-lo de sua meditação pelo ataque ao ego. Rugiu: “Quem pensas que és? Com que direito procuras pela Suprema Iluminação? Quem é tua testemunha?” Gautama silenciosamente estendeu a mão direita para tocar a terra, que estremeceu e gritou de suas entranhas “Eu sou tua testemunha”.’

*Também chamado de Varsavati (“aquele que satisfaz os desejos”), porque o desejo ou a sede pelo prazer, pelo poder, e até mesmo pela existência terrena vincula os seres humanos ao Sansara (A roda da vida, que gira eternamente, equivalente ao princípio da reencarnação), impedindo a liberação do verdadeiro ser (Nirvana). Mara simboliza o arquétipo do Opositor, Satan, a sombra que todos trazemos dentro de nós mesmos. Qualquer semelhança com o demônio que vai tentar Jesus no deserto não é mera coincidência nem cópia gratuita. É sim uma metáfora para um estágio que todos devem enfrentar para atingir a iluminação.

Uma chuva caiu de um céu totalmente sem nuvens em resposta à sua suprema conquista; então uma serpente Naja gigante (conhecida por Naga) postou-se atrás e acima da cabeça de Gautama, para que os pingos da chuva não atrapalhassem sua meditação. Esta é a explicação para turistas e o povo em geral. A estória simboliza duas coisas:

1 – A elevação da Kundalini, que é a energia mais densa e que fica na base da coluna (representada por uma serpente, pelo perigo que representa se não estiver sob controle), ao longo da coluna até a cabeça. Quando a kundalini alcança este ponto, é como se houvesse uma completude energética, a união do céu com a terra.

2 – O estado de paz e atenção que a meditação proporciona. Ele está em repouso como alguém que dorme, mas atento a tudo o que o cerca, como uma serpente.

É isso que desejo para todos neste 2020! Muita meditação, muita introspecção, o reconhecimento da sua poderosa mente, criadora de suas próprias ilusões, o reconhecimento da fonte de nossos desejos e nossas emoções, o reconhecimento do ego e sua incrível capacidade de se refinar, e que paremos de alimentá-lo; ao mesmo tempo, aproveitando o que o fluxo da vida nos trouxer, sem apego, apenas aproveitando, sem ser sugado pelos desejos. ‘Estando no mundo, mas sem pertencer ao mundo.’

Deixe seu buda interior aflorar, e determine o rumo de sua vida a partir do seu centro, não do seu ego, das expectativas que os outros tem de você, da persona artificial que a sociedade imprimiu em você, dos seus condicionamentos! Seja um buda, e aproveite essa grande aventura que é a vida!

p.s.:

E com a luz do Cosmos iluminando sua consciência, Gautama disse:

Através de muitos nascimentos, andei por este mundo,

Procurando em vão o construtor desta casa**.

Não realizar é nascer de novo e de novo nascer!

Ó construtor da casa! Agora vejo você!

Você não precisa construir mais casas para mim!

Suas vigas estão quebradas,

Sua viga-mestra, abalada.

Minha mente está livre de todas as condições passadas,

E não anseia mais pelo futuro.”

**O arquiteto. Dharma (Dhamma) na língua Pali tem sua origem na palavra Fundação, de construção, e é também o nome da Planta baixa da construção, o modelo que deve ser seguido pelos construtores. Então diz-se que quem segue o Dhamma está se guiando pela planta feita pelo Deus que você acredita. O irônico no budismo é que Buda encontra “Deus” e Ele também é apenas mais uma ilusão. (da forma como normalmente refere-se a “Deus”, e se procura por ele ‘lá fora’, ou ‘lá no céu’…)

Mas isso é assunto para outro tópico 😉

Existe uma esfera onde não é terra, nem água, nem fogo, nem ar… que não é nem este mundo e nem outro, nem sol e nem lua. Eu nego que esteja vindo ou indo, que permanece e que seja morte ou nascimento. É simplesmente o fim do sofrimento. Essencialmente todos os seres vivos são Budas, dotados de sabedoria e virtude, mas como a mente humana se inverteu através do pensamento ilusório, não o conseguem perceber”… “o homem nasce em perfeição de alma, porém em ignorância mortal, e somente dessa ignorância deve o homem ser redimido e salvo”. Buda

Namaste!

 

Inspiração:

https://www.saindodamatrix.com.br/buda/

 

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